Amazonas é o 2º estado do país com maior risco ambiental e climático para crianças, diz Unicef

  • 26/07/2026
(Foto: Reprodução)
Levantamento mostra riscos ambientais que impactam a infância no AM Freepik O Amazonas é o segundo estado do Brasil mais vulnerável a riscos ambientais e climáticos para a infância e a adolescência, aponta o estudo "Painel Painel Crianças e Meio Ambiente" publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com a organização Vital Strategies. O levantamento avalia a exposição de crianças a cenários de secas severas, ondas de calor, fumaça de queimadas e falta de saneamento básico. No ranking nacional de vulnerabilidade, o Amazonas fica atrás apenas do Pará, compondo o bloco de emergência máxima no país. Segundo os dados, 42,4% dos municípios amazonenses apresentam 10 ou mais indicadores no nível crítico de alerta, o patamar mais alto de gravidade do indicador. Entre as principais ameaças identificadas no interior do estado estão a oscilação extrema dos rios, que isola comunidades, paralisa o transporte escolar e dificulta o acesso à água potável, além da poluição do ar gerada pelas queimadas sazonais e o histórico déficit de esgotamento sanitário. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo a Unicef, vulnerabilidade do estado decorre da sobreposição de crises ambientais e estruturais que afetam diretamente a saúde e o desenvolvimento de meninos e meninas. No interior, a rápida e violenta oscilação nos níveis dos rios atinge em cheio as calhas do Rio Negro, Solimões e Juruá, onde o isolamento provocado pelas secas históricas paralisa o transporte escolar, interrompe o abastecimento de água potável e impede o acesso a serviços básicos de saúde. Esse cenário é agravado pela degradação da qualidade do ar provocada pelas queimadas sazonais, que atingem com severidade os municípios do sul e do oeste amazonense e disparam os índices de internações pediátricas por problemas respiratórios. Ainda de acordo com o estudo, o cenário soma-se a crise climática um histórico déficit sanitário: a falta de saneamento básico e o esgotamento sanitário inadequado nas comunidades do interior mantêm a população infantil em constante exposição a Doenças de Veiculação Hídrica (DVH). Relatório alerta para secas extremas e garimpo ilegal como ameaças no Amazonas Quase 49 mil alunos estão atrasados na escola no Amazonas Situação em Manaus Apesar de o interior registrar proporções mais severas de falta de infraestrutura básica, Manaus concentra o maior volume absoluto de crianças e adolescentes em situação de risco no estado. Cerca de 31,8% da população da capital tem entre 0 e 17 anos e vive sob alerta alto em metade dos indicadores ambientais analisados. De acordo com o mapeamento, o cenário na capital é agravado por fatores urbanos: Ilhas de calor e escolas desprotegidas: metade das unidades de ensino e creches na capital está localizada em áreas com alto estresse térmico e pouca ou nenhuma arborização. Poluição e queimadas: no período de estiagem, a fumaça de queimadas na Região Metropolitana se acumula sobre a cidade, elevando os casos de problemas respiratórios infantis. Eventos extremos: a ocorrência de alagamentos por chuvas intensas e o adensamento populacional em áreas de risco, como encostas e margens de igarapés, aumentam a exposição das crianças a acidentes e doenças de veiculação hídrica. Como funcionam os indicadores do estudo O mapeamento combina dados oficiais de órgãos de saúde, meio ambiente e saneamento para avaliar a exposição dos municípios a riscos socioambientais em três patamares de gravidade. Quanto maior o acúmulo de indicadores classificados no nível 3 de forma simultânea, mais crítica é a posição do município no ranking de urgência para a infância. Escala de gravidade em três patamares: Nível 3: Significa que a cidade demanda atenção imediata e priorizada; Nível 2: Para o qual se recomenda planejamento e adoção progressiva de medidas no curto a médio prazo; Nível 1: Baixa prioridade, que demanda monitoramento contínuo, sem necessidade de intervenção emergencial. Moradores das comunidades ribeirinhas da região do Médio Solimões, na Amazônia Central, onde atua o Instituto Mamirauá Bruno Barreto/Instituto Mamirauá/BBC Emergência na Região Norte A Região Norte lidera os índices de vulnerabilidade no país. Além de Pará e Amazonas, o estado do Acre aparece na 3ª colocação nacional. Juntos, os três estados concentram as maiores taxas de municípios em que a sobreposição de crises ambientais e falta de serviços essenciais ameaça diretamente a saúde e o desenvolvimento de meninos e meninas. Em nota, o Unicef ressalta a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à adaptação climática com foco na infância, priorizando investimentos em saneamento resiliente, arborização de espaços escolares e proteção social para famílias afetadas por eventos climáticos extremos. LEIA TAMBÉM Um em cada 17 municípios brasileiros tem alta vulnerabilidade ambiental, como saneamento precário e eventos climáticos extremos Desmatamento cai 38% no Amazonas, mas estado segue como o 3º que mais derruba floresta, aponta Imazon Decreto que reduz reservas legais no AM é considerado inconstitucional, dizem especialistas Facções transformam crimes ambientais em nova fronteira do poder no Amazonas

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/07/26/amazonas-e-o-2o-estado-do-pais-com-maior-risco-ambiental-e-climatico-para-criancas-diz-unicef.ghtml


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